13 janeiro 2005

Incêndio

"Se conseguires entrar em casa e
alguém estiver em fogo na tua cama
e a sombra duma cidade
surgir na cera do soalho
e do tecto cair uma chuva brilhante
contínua e miudinha - não te assustes

São os teus antepassados
que por um momento
se levantaram da inércia dos séculos
e vêm visitar-te

Diz-lhes que vives junto ao mar onde
zarpam navios carregados com medos
do fim do mundo - diz-lhes que se consumiu
a morada de uma vida inteira e pede-lhes
para murmurarem uma última canção
para os olhos
e adormece sem lágrimas - com eles no chão"

Horto de Incêndio - Al Berto

1 comentário:

Anónimo disse...

O Al berto sempre me deixou confuso. Tão depressa escreve poemas dilacerados de sentimento como escreve "coisas" inenarráveis. Este Incêndio pertence ao primeiro grupo.

Mas já agora, e se me é permitido o desabafo, para quando um texto teu, daqueles pessoais, íntimos, que guardas na gaveta da escrivaninha e nem nos momnetos mais dúbios da noite te atreves a revisitar?