28 dezembro 2004

BD Blues

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A estreia de Bad Santa de Terry Zwigoff, que ainda não tive oportunidade de ir ver, fez-me recordar uma das maiores surpresas cinematográficas de 2002 - Ghost World.

Ghost World – Mundo Fantasma é, antes de mais, uma excelente banda desenhada underground criada por Daniel Clowes. Em tons de um melancólico azul, o autor retrata a vida de duas adolescentes e a relação que elas estabelecem com o mundo à sua volta.
O argumento do filme, escrito pelo próprio Daniel Clowes e pelo realizador Terry Zwigoff transporta todo esse universo para a tela. Um universo repleto de personagens marginais e de um sentido de humor estranho, irónico e cínico.

Enid (Thora Birch) e Rebecca (Scarlett Johansson) são duas amigas que acabaram o liceu e que agora se vêm confrontadas com uma nova vida, à qual não sabem dar um rumo certo. Assim, passam os dias a passear pelos subúrbios da cidade, sem nada para fazer. Quando confrontadas com o mundo “real”, Enid e Rebecca enfrentam-no de forma diferente, o que acaba por as distanciar uma da outra. Rebecca, por um lado, é mais responsável e Enid, a original, a diferente, é a que quer alcançar mais na vida do que um emprego atrás de balcão, mas que não faz nada para o conseguir.

O filme é, no fundo como uma fábula angustiante, povoada de personagens diferentes. Desde o solteirão e inadaptado Seymor (Steve Buscemi), até ao próprio pai de Enid, um divorciado tonto e ridículo. Depois há o empregado de balcão Weird Al, a professora de arte de Enid e, é claro, a personagem que nos dá um dos momentos mais bonitos do filme, o velhote que espera todos os dias por um autocarro que já não existe.

Ghost World é a história destes personagens. Pessoas sem capacidade de adaptação. Pessoas que se refugiam nos seus próprios mundos, como Seymor e os seus discos de 78 rotações, ou como a Enid, que tenta ao máximo demarcar a sua diferença, acabando por não saber lidar muito bem com a solidão que essa diferença lhe traz. São personagens desajustadas, que se fecham em universos próprios, acabando por não se saber relacionar com os outros. Numa sociedade contemporânea, massificada e sem rosto, estes seres à margem são como fantasmas desencantados que deambulam e que acabam por perder ligações, ficando presos à sua própria melancolia e desespero.

2 comentários:

Pedro Duarte disse...

Nã guestei ... :)

Talvez o filme pudesse ser realizado de forma mais forte, ou talvez pq no dia q o vi 'tava meio pró deprimidote...

Pedro Duarte disse...

Achei Bad Santa um filme hilariante!
Curiosamente, pois nao faz o meu estilo de humor.

Arrependi-me de o ter visto e apagado de seguida :)